Business Model You e a Importância de um Propósito

Daniel H. Pink apresentou no TED GLOBAL de 2009 o resultado da sua pesquisa sobre o que motiva as pessoas. Essa palestra é a 10ª mais vista de todos os tempos no TED (http://blog.ted.com/2012/08/21/the-20-most-watched-ted-talks-to-date/), com mais de 5,5 milhões de exibições e traduções para 40 idiomas no site oficial da conferência (http://www.ted.com/talks/dan_pink_on_motivation.html). Esse sucesso tem justificativa. Pink sustenta seus argumentos com 4 décadas de pesquisa científica sobre motivação e recompensa e prova que as práticas tradicionais do mercado corporativo está errada. Aliás, não está errada apenas porque não motiva, está errada porque PREJUDICA as pessoas em atividades que exigem um mínimo de criatividade.

No cerne da teoria de Pink estão 3 pilares que sustentam a motivação:

1. Maestria: a capacidade e vontade das pessoas melhorarem naquilo que fazem;
2. Autonomia: a liberdade que as pessoas tem para decidir, o que, como, quando e com quem querem realizar as tarefas; e
3. Propósito: o entendimento da finalidade da tarefa, seu contexto, e como ela contribui para alcançar objetivos mais abrangentes.

Se são esses 3 pilares que permitem as pessoas manterem-se motivadas ou não, isso explica o porque autores como Jeremy Rifkin (“O fim dos empregos”), e estatísticas afirmam que as pessoas querem se tornar empreendedores. No Brasil é comum ouvir as pessoas sonharem sobre terem o próprio negócio e “serem donas do próprio nariz”. Existe uma ideia de liberdade associada ao empreendedor e aos olhares pela janela das pessoas estressadas em seus escritórios que se traduz na frase que circulou pelas redes sociais: se você não construir seus sonhos, alguém provavelmente irá contrata-lo para construir os sonhos dele.

No fundo, o que esse desejo pela vida empreendedora traduz é a falta de liberdade que as pessoas sentem no trabalho para desenvolver trabalhos que acreditem ser significativos para a organização e para si mesmas. E o que resta é aceitar os treinamentos oferecidos para se tornarem melhor naquilo que a empresa precisa, afim de manter o emprego.

Tenho tido conversas frequentes com amigos e parentes que reforçam essa compreensão. Uma empreendedora teve sua franquia reintegrada à empresa matriz e deixou de ser sócia para ser gerente. Há meses venho percebendo suas desmotivação com a empresa e a crescente vontade de partir para uma nova empreendedora. Um outro empreendedor dono de um comércio teve que deixar a empresa e passou a ser vendedor de produtos financeiros. Recentemente me confessou: “financeiramente estou melhor, mas não me sinto realizado como antes”. Um ex corretor imobiliário que conheço há mais de 10 anos e vivia reclamando de seus chefes cobrando horas trabalhadas, número de visitas e querendo reuniões. Há 2 anos começou o próprio negócio e hoje trabalha 18 horas por dia. Nunca o vi mais realizado. Diversos colegas de grandes empresas relatam que gostariam de fazer diferente mas são limitados pelas lideranças.

No entanto, há luz no fim do túnel. Recentemente encontrei uma metodologia de desenvolvimento de negócios bastante interessante, o Business Model Generation (http://www.businessmodelgeneration.com/book). Um parceiro de trabalho e consultor encontrou a aplicação dessa metodologia para a carreira das pessoas, o Business Model You (http://businessmodelyou.com/). Juntos transformamos essa metodologia em um workshop que engaja os participantes em discussões em grupo, atividades individuais e reflexões.

Os feedbacks que temos tido dessa metodologia são diretamente ligados à descoberta de como retomar o controle sobre sua carreiras, ao reencontro do seu propósito profissional e o caminho para alcançar a capacitação necessária para realiza-lo. Maestria, autonomia e propósito se reencontram no canvas da metodologia do Business Model You.

Falo de “reencontrar” pois todos nós experimentamos em algum momento de nossas vidas essa sensação de engajamento profundo e realização completa com uma atividade que realizamos. Para alguns foi em uma prática esportiva na escola, para outros algum trabalho acadêmico ou evento que organizou durante a universidade. A minha foi na Empresa Júnior de Consultoria em Administração – a EJCAD.

Fui membro da EJCAD de 2002 a 2004 junto com outras pessoas fantásticas. Um período da minha vida que levo com muito carinho e que às vezes tenho a oportunidade de relembrar com os outros membros da diretoria que integrei. Hoje, acredito firmemente que tamanho sentimento de realização se deve à experiência prática do alinhamento dos 3 pilares proposto por Pink. O Movimento Empresa Júnior permite aos alunos uma autonomia para escolher caminhos, errar e aprender. Permite também seguir caminhos que são mais interessantes e experimentar com temas sobre os quais se tem mais interesse. Por fim, o movimento permite vivenciar o propósito de formação profissional em seu mais completo sentido. A motivação se traduzia em dias de 16 horas na universidade sem receber um centavo para isso. Recentemente enxergo a situação oposta nas empresas. Empregados competem por salários mais altos enquanto inundam o Facebook a cada 6ª feira com mensagens de alegria pelo fim da semana de trabalho e as 2ª feiras com imagens do Garfield.

Como diz Pink, “existe uma desconexão entre o que a ciência sabe e o que os negócios fazem”. A aplicação do que a ciência sabe leva à maior produtividade e engajamento das pessoas ao seu redor. Fica o convite para você permitir que as pessoas sejam donas de seus próprios narizes mesmo que seja como colaboradores nas empresas. Reflita o que precisa mudar em você para que você possa mudar o seu arredor.

BMY

Por Marcelo Lage,  administrador formado pela Universidade Federal do Espírito Santo e mestre em inovação, Gestão do Conhecimento e Dinâmica Empreendedora pela Universidade Aalborg da Dinamarca.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *